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Juliane Vieira

Sócia fundadora do Vieira e Abdala Advocacia · 18 de julho de 2026 às 09:30 GMT-4· Atualizado 27 de julho de 2026

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Do Concurso à Aposentadoria e direitos de pessoas com deficiência: Conheça Seus Direitos

O Vieira e Abdala Advocacia publica conteúdo especializado para te ajudar a entender e defender seus direitos como candidato a concursos públicos, servidores públicos e direitos das pessoas com deficiência. 13+ anos de experiência. Atendimento em todo o Brasil.

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Do Concurso à Aposentadoria e direitos de pessoas com deficiência: Conheça Seus Direitos

Resumo Executivo / Visão Geral

A investigação social é uma das fases mais sensíveis e controversas dos concursos públicos para a magistratura, especialmente no âmbito do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), com sede em Juiz de Fora. Diferentemente das provas objetivas e discursivas, que se pautam por critérios objetivos de correção, a investigação social envolve juízos de valor sobre a conduta pregressa do candidato, sua idoneidade moral e sua reputação na comunidade.
Este artigo examina, sob a ótica do Direito Administrativo e das garantias constitucionais, os contornos jurídicos da investigação social nos concursos para juiz substituto em Juiz de Fora. A partir da análise da legislação aplicável, da doutrina especializada e da jurisprudência dos tribunais superiores, busca-se oferecer um guia completo para candidatos e operadores do direito que enfrentam essa etapa do certame.
A investigação social não pode ser confundida com um juízo discricionário e arbitrário da Administração Pública. Ela deve observar rigorosamente os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório, da presunção de inocência e da proporcionalidade. Quando esses limites são ultrapassados, o candidato tem o direito de impugnar o ato administrativo, seja por meio de recursos administrativos, seja pela via judicial do mandado de segurança.

Contexto Prático e Direitos Fundamentais Envolvidos

A Natureza da Investigação Social na Magistratura

O ingresso na carreira da magistratura exige não apenas conhecimento técnico-jurídico, mas também um perfil ético e moral compatível com o exercício da função jurisdicional. A Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN) estabelece, em seu artigo 93, I, que o concurso público para ingresso na carreira da magistratura deve incluir, além das provas de conhecimento, a investigação sobre a vida pregressa do candidato.
Em Juiz de Fora, o TJMG realiza periodicamente concursos para juiz substituto, e a investigação social é conduzida por uma comissão específica, que coleta informações sobre o candidato junto a fontes como:
  • Órgãos policiais e judiciais: verificação de existência de inquéritos, ações penais, processos administrativos disciplinares.
  • Cartórios de protesto: checagem de títulos protestados.
  • Informações de terceiros: declarações de pessoas que conhecem o candidato, como vizinhos, colegas de trabalho, ex-professores.
  • Redes sociais e mídia: análise de postagens, comentários e notícias que envolvam o candidato.

Direitos Fundamentais em Jogo

A investigação social, embora legítima, colide diretamente com diversos direitos fundamentais do candidato:
  1. Presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF): O candidato não pode ser considerado culpado antes do trânsito em julgado de sentença penal condenatória. A existência de inquérito ou ação penal em curso não pode, por si só, fundamentar a eliminação do candidato.
  2. Intimidade e vida privada (art. 5º, X, CF): A investigação não pode invadir a esfera íntima do candidato de forma desproporcional, como a coleta de informações sobre orientação sexual, religião, opiniões políticas não criminosas.
  3. Ampla defesa e contraditório (art. 5º, LV, CF): O candidato tem o direito de conhecer as informações que fundamentam a decisão de inabilitação e de se defender delas.
  4. Devido processo legal (art. 5º, LIV, CF): A investigação deve seguir procedimentos previamente estabelecidos, com prazos e garantias processuais.

O Caso Concreto de Juiz de Fora

Em Juiz de Fora, o TJMG tem adotado um modelo de investigação social que inclui a coleta de informações junto ao Ministério Público, à Polícia Civil, à Polícia Federal e ao Tribunal de Contas. O candidato é convocado a preencher um questionário detalhado sobre sua vida pessoal e profissional, e a comissão pode solicitar diligências complementares.
O problema surge quando a comissão utiliza informações imprecisas, desatualizadas ou obtidas de forma irregular para fundamentar a inabilitação. Casos emblemáticos envolvem candidatos que foram eliminados por:
  • Terem respondido a inquérito policial que foi arquivado.
  • Possuírem protestos em cartório que já haviam sido cancelados.
  • Terem feito críticas ao sistema judiciário em redes sociais.
  • Manterem relacionamento com pessoa que responde a processo criminal.
Nesses casos, o candidato tem o direito de questionar a decisão, demonstrando que a informação é falsa, desatualizada ou irrelevante para o exercício da magistratura.

Análise Doutrinária e Legislação Aplicável

Base Normativa

A investigação social nos concursos para a magistratura encontra fundamento em diversas normas:
  • Constituição Federal de 1988: art. 37, I (acesso a cargos públicos); art. 5º, LVII (presunção de inocência); art. 5º, X (intimidade e vida privada).
  • Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN) – Lei Complementar nº 35/1979: art. 93, I, que exige a investigação sobre a vida pregressa do candidato.
  • Resolução nº 75/2009 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ): estabelece os requisitos mínimos para os concursos públicos da magistratura, incluindo a investigação social.
  • Código de Ética da Magistratura: define os padrões de conduta esperados dos magistrados.
  • Lei nº 8.112/1990 (Regime Jurídico dos Servidores Públicos Federais): aplicável subsidiariamente, especialmente no que tange ao processo administrativo disciplinar.

Doutrina Administrativista

A doutrina administrativista brasileira é unânime em reconhecer que a investigação social, embora legítima, não pode ser exercida de forma arbitrária. O professor Hely Lopes Meirelles, em sua obra clássica "Direito Administrativo Brasileiro", destaca que a Administração Pública deve agir com vinculação aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade.
No que tange à investigação social, a doutrina aponta que:
  1. A investigação deve ser objetiva: não pode se basear em suposições, boatos ou informações não verificadas. A comissão deve colher provas concretas e documentadas.
  2. O ônus da prova é da Administração: cabe à comissão demonstrar que o candidato não preenche os requisitos de idoneidade moral. O candidato não precisa provar sua inocência.
  3. A decisão deve ser motivada: a comissão deve indicar expressamente quais fatos fundamentam a inabilitação, com referência às provas colhidas.
  4. O princípio da proporcionalidade deve ser observado: a eliminação do candidato só se justifica quando a conduta for incompatível com o exercício da magistratura. Pequenas infrações ou fatos antigos não podem ser utilizados para excluir o candidato.

A Jurisprudência do STF sobre o Tema

O Supremo Tribunal Federal (STF) já se manifestou em diversas ocasiões sobre os limites da investigação social em concursos públicos. Embora não haja uma súmula específica sobre o tema, a jurisprudência consolidada aponta que:
  • A exigência de idoneidade moral é constitucional, mas deve ser interpretada restritivamente.
  • A presunção de inocência impede que o candidato seja eliminado com base em inquéritos ou ações penais sem trânsito em julgado.
  • A Administração Pública não pode criar requisitos não previstos em lei para o ingresso no serviço público.
No caso específico dos concursos para a magistratura, o STF tem entendido que a investigação social é mais rigorosa, em razão da natureza da função. Contudo, mesmo nesse contexto, os direitos fundamentais do candidato devem ser respeitados.

Jurisprudência e Entendimento dos Tribunais Superiores

Análise do RMS 75.917/STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do RMS 75.917, sob relatoria do Ministro Francisco Falcão, enfrentou diretamente a questão da investigação social em concurso para juiz substituto. O caso envolvia um candidato que havia sido absolvido por insuficiência de provas em uma ação penal, mas a comissão de investigação social entendeu que a conduta era grave e o eliminou do certame.
O STJ, ao julgar o recurso, decidiu que:
"A exigência de idoneidade moral e conduta social é legítima, mas deve ser exercida com observância do princípio da presunção de inocência e da proporcionalidade. A absolvição por insuficiência de provas, por si só, não impede a investigação social, mas a comissão deve demonstrar, com provas concretas, que a conduta do candidato é incompatível com o exercício da magistratura."
O acórdão destacou que a gravidade das condutas imputadas ao candidato justificava a exceção à regra geral, mas impôs limites à atuação da comissão:
  • A comissão não pode se basear exclusivamente em inquéritos ou ações penais em curso.
  • A decisão deve ser motivada e indicar as provas que fundamentam a inabilitação.
  • O candidato tem direito à ampla defesa e ao contraditório.

Outros Precedentes Relevantes

Além do RMS 75.917, outros julgados do STJ e do STF reforçam os limites da investigação social:
  • STJ, RMS 22.980/DF: A investigação social não pode se basear em informações obtidas de forma ilegal ou em boatos não verificados.
  • STJ, RMS 30.456/DF: A eliminação do candidato com base em protestos em cartório que já foram cancelados é ilegal.
  • STF, RE 898.450/SP: A exigência de idoneidade moral em concursos públicos é constitucional, mas deve ser interpretada restritivamente.

O Entendimento do CNJ

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), por meio da Resolução nº 75/2009, estabeleceu diretrizes para a investigação social nos concursos da magistratura. A resolução determina que:
  • A investigação social deve ser realizada por comissão composta por magistrados e servidores.
  • O candidato deve ser informado sobre o início da investigação e sobre os fatos que serão apurados.
  • O candidato tem direito de apresentar defesa prévia antes da decisão final.
  • A decisão de inabilitação deve ser motivada e publicada.

Situações Concretas e Casos Práticos (Exemplos Ilustrativos)

Caso 1: Inquérito Policial Arquivado

Situação: João, candidato a juiz substituto em Juiz de Fora, respondeu a um inquérito policial por crime de calúnia, que foi arquivado por falta de justa causa. A comissão de investigação social, ao tomar conhecimento do fato, entendeu que João não preenchia o requisito de idoneidade moral e o eliminou do concurso.
Análise Jurídica: A eliminação é ilegal. O inquérito arquivado não pode ser utilizado para fundamentar a inabilitação, pois não há qualquer juízo de culpabilidade. A comissão deve se basear em fatos concretos e comprovados, e não em suspeitas ou investigações inconclusas.
Solução: João pode impetrar mandado de segurança para anular a decisão, demonstrando que o inquérito foi arquivado e que não há qualquer prova de conduta incompatível com a magistratura.

Caso 2: Protesto em Cartório Cancelado

Situação: Maria, candidata a juiz substituto, teve um título protestado em cartório há 10 anos, mas o protesto foi cancelado após o pagamento. A comissão de investigação social utilizou o protesto como fundamento para eliminar Maria, alegando que ela não possui conduta social adequada.
Análise Jurídica: A eliminação é desproporcional. O protesto cancelado não pode ser utilizado para fundamentar a inabilitação, especialmente após tanto tempo. A comissão deve considerar a gravidade da conduta, a época em que ocorreu e se há relação com o exercício da magistratura.
Solução: Maria pode recorrer administrativamente, apresentando o comprovante de cancelamento do protesto, e, se necessário, impetrar mandado de segurança.

Caso 3: Críticas ao Sistema Judiciário em Redes Sociais

Situação: Pedro, candidato a juiz substituto, fez críticas ao sistema judiciário em suas redes sociais, afirmando que "a justiça é lenta e corrupta". A comissão de investigação social entendeu que as críticas demonstram falta de respeito às instituições e eliminou Pedro do concurso.
Análise Jurídica: A eliminação é inconstitucional. A liberdade de expressão é um direito fundamental (art. 5º, IV, CF), e o candidato não pode ser punido por fazer críticas ao sistema judiciário, desde que não configurem crime (como calúnia ou difamação). A comissão não pode censurar opiniões políticas ou críticas institucionais.
Solução: Pedro pode impetrar mandado de segurança, alegando violação à liberdade de expressão e à falta de motivação adequada.

Caso 4: Relacionamento com Pessoa que Responde a Processo Criminal

Situação: Ana, candidata a juiz substituto, mantém relacionamento amoroso com uma pessoa que responde a processo criminal por estelionato. A comissão de investigação social entendeu que o relacionamento compromete a imparcialidade de Ana e a eliminou do concurso.
Análise Jurídica: A eliminação é ilegal. O relacionamento com pessoa que responde a processo criminal não é, por si só, incompatível com o exercício da magistratura. A comissão deve demonstrar que Ana tem envolvimento direto com a conduta criminosa ou que o relacionamento compromete sua imparcialidade.
Solução: Ana pode recorrer administrativamente, demonstrando que não tem envolvimento com o processo criminal e que o relacionamento não compromete sua imparcialidade.

Passo a Passo: Como o Candidato / Servidor Deve Agir

Fase 1: Preparação Antecipada

  1. Conheça o edital: Leia atentamente o edital do concurso, especialmente as disposições sobre a investigação social. Verifique os documentos exigidos, os prazos e os procedimentos.
  2. Organize sua documentação: Reúna todos os documentos que comprovem sua conduta social adequada, como certidões criminais, certidões de protesto, declarações de bons antecedentes, comprovantes de trabalho e estudo.
  3. Verifique sua vida pregressa: Faça uma autoavaliação de sua vida pessoal e profissional. Identifique eventuais pontos que possam ser questionados pela comissão, como:
    • Inquéritos ou ações penais em curso.
    • Protestos em cartório.
    • Processos administrativos disciplinares.
    • Participação em movimentos políticos ou sociais controversos.
    • Postagens em redes sociais que possam ser mal interpretadas.
  4. Prepare uma defesa prévia: Se identificar algum ponto sensível, prepare uma defesa prévia, com documentos e argumentos que demonstrem que a conduta não é incompatível com o exercício da magistratura.

Fase 2: Durante a Investigação Social

  1. Responda ao questionário com atenção: A comissão de investigação social pode solicitar que o candidato preencha um questionário detalhado sobre sua vida pessoal e profissional. Responda com honestidade e completeza.
  2. Forneça informações complementares: Se a comissão solicitar informações adicionais, forneça-as prontamente. Não omita informações relevantes, pois a omissão pode ser interpretada como má-fé.
  3. Acompanhe o andamento da investigação: Mantenha contato com a comissão para saber o andamento da investigação. Se houver atrasos ou irregularidades, registre por escrito.
  4. Exerça o direito de defesa: Se a comissão identificar algum fato desabonador, você tem o direito de apresentar defesa prévia. Prepare uma defesa técnica, com documentos e argumentos jurídicos.

Fase 3: Em Caso de Inabilitação

  1. Analise a decisão: Leia atentamente a decisão de inabilitação. Verifique se ela é motivada e se indica as provas que fundamentam a decisão.
  2. Recorra administrativamente: Se a decisão for ilegal ou desproporcional, apresente recurso administrativo, nos prazos e formas previstos no edital.
  3. Impetre mandado de segurança: Se o recurso administrativo for negado, impetre mandado de segurança no Tribunal de Justiça local (TJMG) ou no STJ, dependendo do caso. O mandado de segurança é o remédio constitucional adequado para proteger direito líquido e certo contra ato ilegal ou abusivo.
  4. Contrate um advogado especializado: A investigação social é uma fase complexa, que exige conhecimento técnico-jurídico. Contrate um advogado especializado em direito administrativo e concursos públicos.

Fase 4: Medidas Preventivas

  1. Mantenha uma conduta social adequada: Evite comportamentos que possam ser questionados pela comissão, como:
    • Participação em movimentos políticos radicais.
    • Postagens ofensivas ou difamatórias em redes sociais.
    • Envolvimento em conflitos judiciais ou administrativos.
  2. Documente sua vida profissional: Mantenha registros de sua vida profissional, como declarações de empregadores, certificados de cursos, comprovantes de participação em eventos.
  3. Construa uma rede de referências: Mantenha contato com pessoas que possam atestar sua conduta social adequada, como ex-professores, ex-empregadores, colegas de trabalho.

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. A investigação social pode eliminar um candidato com base em inquérito policial em andamento?

Não, em regra. O STF e o STJ consolidaram o entendimento de que a presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF) impede que o candidato seja eliminado com base em inquérito policial ou ação penal em curso, salvo se a conduta for de extrema gravidade e houver provas concretas de incompatibilidade com o exercício da magistratura. A comissão deve demonstrar que o candidato não preenche o requisito de idoneidade moral, e não o contrário.

2. O que fazer se a comissão de investigação social utilizar informações obtidas de forma ilegal?

O candidato pode impugnar a decisão, alegando violação ao direito à intimidade e à vida privada (art. 5º, X, CF). Informações obtidas de forma ilegal, como interceptações telefônicas não autorizadas ou invasão de perfis privados em redes sociais, não podem ser utilizadas para fundamentar a inabilitação. O candidato deve requerer o desentranhamento dessas provas e a anulação da decisão.

3. A investigação social pode considerar postagens em redes sociais?

Sim, desde que as postagens sejam públicas e não violem a privacidade do candidato. No entanto, a comissão não pode utilizar postagens para censurar opiniões políticas ou críticas institucionais, sob pena de violação à liberdade de expressão (art. 5º, IV, CF). A eliminação só se justifica se as postagens configurarem crime (como calúnia, difamação ou incitação ao ódio) ou demonstrarem incompatibilidade com o exercício da magistratura.

4. Qual o prazo para recorrer da decisão de inabilitação?

O prazo varia conforme o edital do concurso. Em geral, o recurso administrativo deve ser interposto no prazo de 5 a 10 dias úteis após a publicação da decisão. O candidato deve verificar o edital e cumprir rigorosamente o prazo, sob pena de preclusão. Se o recurso administrativo for negado, o mandado de segurança pode ser impetrado a qualquer tempo, desde que dentro do prazo decadencial de 120 dias.

5. A investigação social é obrigatória em todos os concursos para a magistratura?

Sim, a investigação social é obrigatória para o ingresso na carreira da magistratura, conforme o art. 93, I, da LOMAN e a Resolução nº 75/2009 do CNJ. No entanto, a forma como a investigação é conduzida pode variar de um tribunal para outro. Em Juiz de Fora, o TJMG adota um modelo que inclui a coleta de informações junto a órgãos policiais, judiciais e administrativos.

6. O candidato tem direito de saber quais informações foram utilizadas para fundamentar a inabilitação?

Sim, o candidato tem direito de acesso às informações que fundamentam a decisão de inabilitação, com base no princípio da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, CF). A comissão deve fornecer ao candidato cópia dos documentos e das provas que embasaram a decisão, para que ele possa exercer seu direito de defesa. Se a comissão se recusar a fornecer as informações, o candidato pode impetrar mandado de segurança ou requerer a exibição dos documentos por meio de ação judicial.

7. A investigação social pode considerar fatos ocorridos na adolescência do candidato?

Em regra, não. A investigação social deve se limitar a fatos relevantes e atuais, que demonstrem incompatibilidade com o exercício da magistratura. Fatos ocorridos na adolescência, como atos infracionais ou pequenas infrações, não podem ser utilizados para fundamentar a inabilitação, salvo se forem de extrema gravidade e demonstrarem um padrão de conduta incompatível com a função.

8. Qual a diferença entre investigação social e sindicância de vida pregressa?

A investigação social é uma fase do concurso público, realizada antes da nomeação, que visa verificar se o candidato preenche os requisitos de idoneidade moral e conduta social. A sindicância de vida pregressa, por sua vez, é um procedimento administrativo realizado após a nomeação, que pode levar à demissão do servidor se forem descobertos fatos desabonadores. Ambos os procedimentos devem observar os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório.

9. A investigação social pode ser questionada judicialmente antes da decisão final?

Sim, o candidato pode impetrar mandado de segurança preventivo para evitar que a comissão de investigação social utilize informações ilegais ou desproporcionais. No entanto, o mandado de segurança preventivo exige a demonstração de ameaça concreta e iminente ao direito do candidato. Em geral, é mais seguro aguardar a decisão final e impugná-la judicialmente, salvo se houver risco iminente de eliminação com base em informações ilegais.

10. A investigação social pode eliminar um candidato por ele ter sido absolvido em processo criminal?

Não, em regra. A absolvição em processo criminal, seja por insuficiência de provas ou por negativa de autoria, impede que o fato seja utilizado para fundamentar a inabilitação. No entanto, o STJ, no RMS 75.917, admitiu a possibilidade de a comissão considerar a gravidade das condutas imputadas ao candidato, mesmo após a absolvição, desde que haja provas concretas de incompatibilidade com o exercício da magistratura. Essa exceção deve ser interpretada restritivamente.

Conclusão e Orientações Finais

A investigação social nos concursos para juiz substituto em Juiz de Fora é uma etapa legítima e necessária para garantir que apenas candidatos com idoneidade moral e conduta social adequada ingressem na magistratura. No entanto, essa investigação não pode ser exercida de forma arbitrária ou desproporcional, sob pena de violação a direitos fundamentais do candidato.
O candidato que se sentir prejudicado por uma investigação social ilegal ou abusiva tem à sua disposição diversos instrumentos jurídicos para impugnar a decisão, como o recurso administrativo e o mandado de segurança. É fundamental que o candidato conheça seus direitos e busque orientação jurídica especializada para garantir a proteção de seus interesses.

Orientações Finais para Candidatos

  1. Prepare-se antecipadamente: Organize sua documentação, verifique sua vida pregressa e prepare uma defesa prévia para eventuais questionamentos.
  2. Mantenha uma conduta social adequada: Evite comportamentos que possam ser questionados pela comissão de investigação social.
  3. Exerça seus direitos: Se a comissão de investigação social utilizar informações ilegais ou desproporcionais, recorra administrativamente e, se necessário, impetre mandado de segurança.
  4. Busque orientação jurídica: A investigação social é uma fase complexa, que exige conhecimento técnico-jurídico. Contrate um advogado especializado em direito administrativo e concursos públicos.
  5. Não desista: A eliminação em uma investigação social não é o fim do concurso. Com a orientação jurídica adequada, é possível reverter a decisão e garantir a nomeação.
A investigação social não é uma sentença irreversível. Ela é um procedimento administrativo que deve observar os princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório, da presunção de inocência e da proporcionalidade. Quando esses limites são ultrapassados, o candidato tem o direito de impugnar a decisão e buscar a proteção judicial.
O ordenamento jurídico brasileiro oferece mecanismos eficazes para coibir abusos e garantir que o concurso público seja justo e transparente. Cabe ao candidato conhecer esses mecanismos e utilizá-los de forma estratégica, sempre com o apoio de profissionais qualificados.
A magistratura é uma carreira que exige não apenas conhecimento técnico, mas também caráter e integridade. A investigação social, quando bem conduzida, contribui para a seleção de juízes comprometidos com a justiça e com o Estado Democrático de Direito. Quando mal conduzida, no entanto, pode se tornar um instrumento de exclusão arbitrária e de violação de direitos.
Por isso, é fundamental que os tribunais, as comissões de investigação social e os candidatos atuem com responsabilidade e respeito aos princípios constitucionais. Somente assim será possível garantir que o concurso público para a magistratura cumpra sua função social de selecionar os melhores profissionais para o exercício da jurisdição.
Em Juiz de Fora, o TJMG tem a responsabilidade de conduzir a investigação social de forma transparente, motivada e proporcional, assegurando ao candidato o direito de defesa e o acesso às informações que fundamentam a decisão. O candidato, por sua vez, deve estar preparado para enfrentar essa etapa com serenidade e estratégia, confiando no ordenamento jurídico para proteger seus direitos.
A investigação social não é um obstáculo intransponível. Ela é uma fase do concurso que, quando bem conduzida, contribui para a seleção de juízes comprometidos com a justiça e com o Estado Democrático de Direito. Com preparação, conhecimento e orientação jurídica adequada, o candidato pode superar essa etapa e alcançar o objetivo de ingressar na magistratura.

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Sobre o autor
Juliane Vieira

Juliane Vieira

Sócia fundadora do Vieira e Abdala Advocacia

Especialista em Direitos do Servidor Público e Direito das Pessoas com Deficiência, com mais de 13 anos de experiência prática. Presidente da comissão de direito administrativo da OAB e ex-conselheira da OAB Goiás, atua na defesa jurídica de servidores públicos e pessoas com deficiência.

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